[Crítica] “It: Bem-Vindos a Derry” é uma história de origem sombria e brutal que expande o universo de Stephen king
Com personagens marcantes e mortes brutais, a nova adaptação do clássico de Stephen King explora o passado sombrio da cidade de Derry e revela a origem de Pennywise; confira nossa crítica
“O passado nunca fica realmente para trás” – Stephen King (It – A Coisa)
“It: Bem-Vindos a Derry” é uma série de terror da HBO desenvolvida por Andy Muschietti, Barbara Muschietti e Jason Fuchs, os mesmos nomes por trás dos filmes It – A Coisa (2017) e It – Capítulo 2 (2019). Embora compartilhe o mesmo universo das adaptações cinematográficas do clássico de Stephen King, a série aposta em uma abordagem ainda mais sombria e violenta, mas ainda sem perder o tom aventuresco.
Em comparativo, enquanto os filmes acompanham um grupo de jovens enfrentando a entidade que assombra a cidade de Derry e descobrindo, ao longo de registros históricos, pistas que os levam até o palhaço Pennywise, a série volta no tempo e se propõe a contar a origem desse mal.
Ambientada 27 anos antes dos acontecimentos do primeiro filme, a narrativa busca ampliar o enredo, agora não são apenas algumas crianças que são afetadas pela entidade, mas toda a cidade, que está envolvida em um ciclo de medo e violência, prestes a mergulhar em um banho de sangue.
Aqui, Derry é apresentada como um “organismo doente”. A presença da entidade se manifesta por meio de mortes brutais, conflitos sociais e raciais do período retratado, o que contribui para criar uma tensão ainda maior ao redor da cidade. O horror não está apenas na forma e na representação do palhaço Pennywise, mas no ambiente que o permite existir e que ele usa para manipular decisões em volta dos personagens.
A trama da primeira temporada de It: Bem-Vindos a Derry
A primeira temporada de “It: Bem-Vindos a Derry” se passa em 1962, anos antes dos eventos dos filmes, e acompanha a cidade de Derry, no Maine, quando um desaparecimento misterioso de um garoto e uma grande tragédia começam a perturbar os moradores. Uma família que se muda para a cidade logo percebe que algo sinistro está se desenrolando, enquanto um grupo de jovens tenta descobrir o que está por trás dos mistérios que envolvem o lugar. Aos poucos, segredos antigos da cidade são revelados, ligando tragédias humanas e sobrenaturais ao surgimento de uma ameaça crescente que molda a história sombria de Derry.
Confira o trailer:
Do início morno para um final grandioso
“It: Bem-Vindos a Derry” teve um excelente episódio piloto, que conseguiu apresentar com eficácia o grande perigo iminente que a cidade enfrenta, além de acrescentar camadas que ampliam o medo no ato final do episódio. Com um roteiro direto e acontecimentos chocantes, a série começa de forma bastante promissora.
No entanto, o lado obscuro de iniciar uma produção de maneira tão ousada, com um enredo que não teme expor suas cartas, seja por meio da morte de protagonistas ou de grandes plot twists, é que essa premissa precisa ser sustentada ao longo dos episódios, mantendo o mesmo impacto. O que acontece, porém, é um desenvolvimento morno: após prometer um cenário mortal, a série acaba esbarrando em um tom aventuresco que lembra “Scooby-Doo”.
Felizmente, a partir do quinto episódio, a série passa a revelar seu lado mais sombrio, retorna ao epicentro mortal da história e entrega um dos melhores finais de série do ano.
As conexões com os filmes e a revelação chocante sobre Pennywise
A série evidencia a forte conexão de seus personagens com os filmes e com o universo de Stephen King, dialogando diretamente com obras clássicas como “O Iluminado”. A partir disso, consegue justificar sua existência em meio a tantos derivados criados sem uma razão narrativa consistente, provando que esta é uma história que realmente merece ser contada.

Personagens de “It: Bem-vindos a Derry” no confronto final. (Reprodução/Divulgação/HBO)
Além dessas revelações, “It: Bem-Vindos a Derry” também responde, de forma mais clara, o que é de fato a identidade de Pennywise e, principalmente, qual é a sua relação com o espaço-tempo.
Conclusão
“It: Bem-Vindos a Derry” pode até tropeçar em seu desenvolvimento inicial, mas se mostra, ao final, uma expansão relevante e corajosa do universo criado por Stephen King. Ao transformar a cidade de Derry em um personagem violento e cúmplice do mal, a série vai além da simples repetição de fórmulas já conhecidas e constrói uma história de origem brutal, que dá novo peso à mitologia de Pennywise.
Mesmo flertando em alguns momentos com um tom mais aventuresco que dilui o impacto do terror prometido, a produção encontra seu equilíbrio ao abraçar o horror, a tragédia e as consequências de um mal que atravessa gerações.
O resultado é uma narrativa que justifica sua existência em meio a tantas adaptações derivativas, entrega respostas aguardadas pelos fãs e encerra sua primeira temporada com bastante ambição. Em resumo, “It: Bem-Vindos a Derry” se firma como uma obra que merece atenção.
Nossa nota: 3,5/5