Battle Royale está morrendo?

Battle Royale está morrendo?

O gênero Battle Royale dominou a última década de forma avassaladora, transformando-se de um mod experimental em um titã cultural. No entanto, com a saturação do mercado e a mudança nos hábitos de consumo, surge a dúvida: estaríamos vivendo o crepúsculo desse formato?

Para entender o presente, precisamos olhar para a cronologia dessa revolução.

O Surgimento e a Ascensão

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(Reprodução/DayZ Battle Royale – Survivor GameZ)

Embora o conceito tenha raízes no filme japonês Batalha Real e em um mod de Minecraft, chamado Hunger Games, o considerado primeiro jogo de Battle Royale moderno foi o mod DayZ: Battle Royale, criado por Brendan Greene (conhecido como PlayerUnknown) para ARMA 2 em 2013. Ele estabeleceu padrões: um mapa grande, coleta de recursos e o círculo que encolhe. O sucesso do mod ocasionou no lançamento de PlayerUnknown’s Battlegrounds, que foi o ponto de ruptura. Ele refinou a fórmula tática e realista, provando que o gênero era comercialmente viável e capaz de atrair milhões de jogadores simultâneos no PC. Meses depois, a Epic Games mudou o curso da indústria. Ao adotar o modelo free-to-play (gratuito) e uma estética vibrante, Fortnite não foi apenas um jogo, mas um fenômeno social que introduziu o conceito de “Passe de Batalha”, hoje padrão na grande maioria dos jogos modernos.

A Consolidação e a Diversificação

Com o sucesso do gênero, gigantes da indústria buscaram seu espaço, adaptando a fórmula para diferentes nichos. Um grande exemplo é o Free Fire. Percebendo uma lacuna no mercado mobile, em 2017, a Garena lançou um jogo leve, capaz de rodar em celulares de entrada. O impacto foi monumental em países emergentes, democratizando o acesso aos eSports e criando uma base de fãs gigantesca na América Latina e Ásia.

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(Reprodução/ Respawn Entertainment)

Em 2019, a Respawn Entertainment (estudio de Titanfall, criado por ex-desenvolvedores da franquia Call of Duty) trouxe o “Hero Shooter” para o gênero Battle Royale. Com foco em movimentação fluida e habilidades únicas de personagens, o jogo provou que ainda havia espaço para inovação mecânica dentro do gênero. Apesar do grande sucesso em seu início, esse jogo era pra sequer existir. A Respawn estava desenvolvendo Titanfall 3, sequencia da sua franquia de FPS futurista, porém, a EA ordenou que encerrasse o projeto na metade. Para não perder todo o trabalho já feito, os desenvolvedores trabalharam em segredo da EA para adaptar o que tinha sido produzido até então para um jogo free-to-play de Battle Royale, e o resto, é história.

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(Reprodução/Activision Blizzard King)

Em 2020, o mundo parou, a pandemia do COVID-19 prendeu todo mundo em casa, e a Activision entrou na disputa unindo a marca mais poderosa de tiro do mundo à jogabilidade acelerada do Battle Royale, consolidando a ideia de “ecossistema” onde o progresso é compartilhado entre diferentes títulos da franquia. No momento certo, onde todos estávamos presos em casa, é lançado Call of Duty: Warzone como um modo extra de Call of Duty: Modern Warfare (2019), porém, ao contrário do título pago, o modo foi lançado free-to-play, seguindo os mesmo moldes de Fortnite: jogue a vontade de graça, pague apenas por cosméticos. O sucesso foi tão grande que o “modo” se desvinculou do jogo, e virou um jogo a parte da franquia.

Impactos na Indústria

O legado dos Battle Royales vai além dos recordes de audiência na Twitch. Eles ditaram o fim do modelo de lançamentos anuais em favor dos “jogos como serviço“, onde um único título é atualizado por anos. Além disso, forçaram a indústria a adotar o cross-play (jogadores de diferentes plataformas jogando juntos), quebrando barreiras históricas entre consoles. Apesar de boa parte disso tudo que impactou tanto os Battle Royales, quanto outros jogos, nem tudo são flores.

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(Reprodução/Battlestate Games)

Dizer que é o “fim” talvez seja um exagero, mas é nítido que o gênero não tem mais a “novidade brilhante”. O público está mais exigente e menos tolerante à saturação. O que vemos hoje é uma transição. Jogadores estão migrando para experiências mais curtas ou modos extração (como Escape from Tarkov). Inclusive a rumores de títulos futuros da franquia Call of Duty ter um modo do gênero, free-to-play, já que é a nova tendencia.

Jogos como Fortnite deixaram de ser apenas Battle Royales para se tornarem plataformas de shows, corridas e criação. Semelhante ao que o ROBLOX é, e que furou a bolha no último ano. O próprio Apex Legends, que obteve um grande estouro em seu lançamento, e caiu no esquecimento por falta de atualizações recorrentes, como seus concorrentes faziam na época, ainda se mantém de pé com seu público fiél que ainda se diverte no jogo, mas agora enxerga a Respawn focar em modos de gameplay secundários que fogem um pouco, ou totalmente do conceito “Battle Royale”.

Em suma, os Battle Royales deixaram de ser uma tendência para se tornarem um pilar fundamental da indústria, como os jogos de luta ou RPGs. Eles podem não ser mais o único assunto nas rodas de conversa, mas sua estrutura moldou permanentemente a forma como jogamos e consumimos entretenimento digital. A geração Tiktok está perdendo interesse em gameplays mais lentas e estratégicas, assim como a geração mais velha, está “fugindo” para os jogos de extração, como o recém sucesso ARC Riders.

Mas o importante é: você está se divertindo no que joga?

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